Obras literárias ufpr 2020/2021

conheça e leia as obras solicitadas para o vestibular 2020/2021 da universidade federal do paraná

O Uraguai, de Basílio da Gama

O Uraguai é um poema épico em 5 cantos, escrito por Basílio da Gama em 1769. Com bastante beleza e imagens impactantes, a obra retrata o conflito entre jesuítas, índios e europeus no contexto histórico da conquista dos Sete Povos das Missões. No Tratado de Madrid (assinado em 1750), a região em questão havia sido designada para Portugal em troca da Colônia do Sacramento, o que passaria ao domínio espanhol. Porém, a ocupação de Portugal também significava a desocupação dos jesuítas, dando início ao conflito retratado na obra.

Últimos cantos, de Gonçalves Dias

Últimos cantos reúne vários dos versos mais célebres do autor romântico, dentre os quais os do poema “I-Juca Pirama”, poemeto épico em dez cantos breves que narra o drama de pai e filho da tribo Tupi, às voltas com os Timbira. Os poemas da coletânea possuem temáticas diversas, características do Romantismo de Gonçalves Dias, tais como o indianismo, o bucolismo, o próprio ato de fazer poesia, o amor, o carpe diem, a meta´física, entre outros. 

Casa de pensão, de Aluísio de Azevedo

Amâncio vem para o Rio de Janeiro para estudar e consolidar o seu futuro brilhante. No entanto, morando em pensões de má qualidade, envolve-se com pessoas erradas e com situações não desejadas que irão comprometer os seus planos iniciais. Baseado em uma história real, a “Questão Capistrano”.

Clara dos Anjos, de Lima Barreto

Clara dos Anjos foi o primeiro romance de Lima Barreto, escritor brasileiro que escolheu o subúrbio do Rio de Janeiro para ser o cenário de sua obra. A protagonista da história, Clara dos anjos, é uma jovem mulata e ingênua, filha do carteiro Joaquim dos Anjos. Seduzida pelo malandro Cassi Jones, rapaz branco, ignorante, torpe e conhecido por ter desonrado muitas donzelas, Clara acaba por engravidar. Ao procurar pela família de Jones para pedir ajuda, Clara transforma-se numa vítima do preconceito racial, sofrendo as consequências da estreiteza mental que ditava as relações sociais brasileiras na época.

Sagarana, de João Guimarães Rosa

O conjunto de contos de Sagarana é uma das maiores obras-primas da história da literatura brasileira. Uma série de histórias que, embora estejam imbuídas de regionalismo, possuem um forte apelo universal, podendo ser lidas e apreciadas por qualquer um. Apresentando a paisagem e o homem de sua terra, Guimarães Rosa fez de seu primeiro livro a semente de uma obra monumental, em que apresenta elementos que se tornaram uma espécie de marca registrada sua, tais como a matéria do sertão e a linguagem calcada na oralidade, com uso de regionalismos, arcaísmos, estrangeirismos adaptados e neologismos.

Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto

Morte e vida severina é o texto mais famoso de um dos poetas mais significativos da literatura brasileira. É um poema narrativo que retrata o universo árido do sertão nordestino, paisagem em que os homens são subjugados pela seca e pela miséria. O poema segue o percurso dos retirantes que palmilham o caminho entre o rio Capibaribe e o Recife. Com uma musicalidade bastante característica, o texto cabralino procura reproduzir, no modo como é escrito, a sensação experimentada pelos personagens da história que está contando. 

 

Nove Noites, de Bernardo Carvalho

Na noite de 2 de agosto de 1939, um jovem e promissor antropólogo americano, Buell Quain, se matou, aos 27 anos, de forma violenta, enquanto tentava voltar para a civilização, vindo de uma aldeia indígena no interior do Brasil. O caso se tornou um tabu para a antropologia brasileira, foi logo esquecido e permaneceu em grande parte desconhecido do público. Sessenta e dois anos depois, ao tomar conhecimento da história por acaso, num artigo de jornal, o narrador deste livro é levado a investigar de maneira obsessiva e inexplicada as razões do suicídio do antropólogo.

Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum

Após um longo período de ausência, uma mulher regressa a Manaus, cidade de sua infância. Deseja encontrar Emilie, a extraordinária matriarca de uma família libanesa há muito radicada ali. Encontra a casa desfeita – como desfeita para sempre estão as casas da infância. Situado entre o Oriente e o Amazonas, este relato é a busca de um mundo perdido, que se reconstrói nas falas alternadas das personagens, longínquos ecos da tradição oral dos narradores orientais. Com o sopro das obras que vieram para ficar, Relato de um certo Oriente apresenta ao público o talento de um escritor, a força de seu texto envolvente e, sobretudo, poético.